Limpei os olhos, ergui a cabeça. O silêncio acalmou-me
depois dos gritos. Respirei fundo e ganhei coragem, há meses que penso e
repenso na mesma solução e opto por adia-la. Umas vezes por tudo, outras por rigorosamente nada. Mas conheci o meu limite hoje. Olhei para os olhos da minha mãe e parecíamos
estar em sintonia. Ela no fundo sabe, conhece o meu olhar melhor que ninguém e
por isso seria impossível observar algo se não um quero-me ir embora.
Falámos, e bastou a pergunta - já não és feliz aqui, pois não?- para a conclusão
desta conversa ser de imediato fácil. Uma mãe lutará sempre pelo sorriso dos
seus pequenos guerreiros, mesmo que esse sorriso se reconstrua longe das suas
origens. Serão mais de 700 euros, mas a “pequena guerreira” vai-se embora. Vai
ser feliz.

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